Resenha | A grande solidão, de Kristin Hannah

sexta-feira, 10 de abril de 2020

A Grande Solidão, publicado pela Editora Arqueiro em 2018 e escrito pela maravilhosa Kristin Hannah, vai contar uma história de uma família em busca da sobrevivência.

Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura

Alasca, 1974

Ernet Allbright voltou da Guerra do Vietnã. Totalmente traumatizado com o que viu e presenciou, decide mudar de cidade a todo instante, mas dessa vez, ele busca um local que deixaria sua família isolada em segurança. Decidiu morar no Alasca.

Sua esposa, Cora, faz de tudo para deixa-lo feliz, mesmo que isso inclua seguir para o desconhecido. E sua filha Leni, de 13 anos, também acredita que essa nova mudança trará um futuro melhor para todos.

Não queria alimentar falsas esperanças. Ter esperanças frustadas era pior do que não ter nenhuma. (pág. 56)

Alasca pode parecer a resposta para tudo, pelo menos no primeiro momento. Apesar da família Allbright estar despreparada para o que vão enfrentar nos próximos dias, a generosidade dos moradores locais compensa todo o despreparo e os ajudam a mantê-los quentes e em segurança.

O problema que a segurança que realmente precisavam, não era possível ninguém ajudar. As ameaças do lado de fora são menores do que o perigo que apenas Cora e Leni enfrentarão dentro de casa.

Ela sabia o que pesadelos podiam fazer com uma pessoa e como lembranças ruins podiam mudar a personalidade. (pág. 116)

Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura


Aquele livro destruidor!

Falar de Kristin Hannah e não falar como suas obras são capazes de nos destruir, então estaríamos falando de pessoas diferentes. A forma como a autora consegue fazer com que a gente sinta, viva, sofra e lute junto com suas personagens é inexplicável.

Em A Grande Solidão, eu tive vários momentos de raiva, mas também tive muitos momentos de tristeza. É muito difícil quando alguém vive um perigo dentro de casa e acredita que aquilo “nunca mais irá acontecer”, mas que na verdade é algo que nunca mudará.

Às vezes é preciso retroceder para avançar. Essa verdade eles conheciam, por mais jovens que fossem. (pág. 186)

A justificativa muitas vezes usada por Cora, era por Ernt ter lutado na Guerra do Vietnã e isso proporcionou muitos traumas, mas quem ela gostaria de enganar? Apesar de entender todos os horrores que a Guerra pode causar na vida de alguém, nada justifica as atitudes agressivas, tóxicas e sufocantes.

Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura



Um livro de ficção, mas que mostra a realidade.

Apesar de todo o contexto que a autora criou nessa obra e do ano narrado, sabemos que isso, infelizmente, acontece muitas mulheres. É doloroso e difícil descrever. Senti, inúmeras vezes, a garganta seca enquanto avançava em cada capítulo e me causou um aperto no coração enorme.

Dentre todos os capítulos, o que mais me destruiu foi o capítulo 9. Não, não vou contar o que realmente acontece nele, mas quis ressaltar que nesse ponto em diante, eu já conseguia imaginar como o livro iria seguir e que ele iria me proporcionar uma emoção jamais sentida antes com os livros da Kristin Hannah. E foi o que aconteceu.

Pela primeira vez, Lenin entendeu todos os livros que tinha lido sobre corações partidos e amor não correspondido. Era uma dor física. (pág. 211)

Além desses horrores enfrentados por mãe e filha, há outro desenvolvimento na história que é a personagem Leni. Ela vai crescendo ao longo da trama e acaba perdendo um pouco da sua infância, pois tudo que presenciou a fez amadurecer mais cedo. E muitas coisas acontecem ao longo de sua trajetória: muitos sonhos, a descoberta do primeiro amor e um destino jamais esperado.

Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura


Esse livro tem uma tocante história sobre amor e perda, sobre o instinto de sobrevivência, um retrato da fragilidade e da resistência humana. É aquele livro que, após finaliza-lo, é necessário um tempo para refletir todos os detalhes apontados.

A Grande Solidão foi meu quarto contato com a autora e, mais uma vez, devo dizer que ela é esplendida! Ela sabe como conquistar o coração do leitor, destruir, reconstruir os pedacinhos aos poucos e proporcionar muitas emoções ao virar de cada página.

+ QUOTES

Até então ela não sabia como o amor podia irromper e começar a existir como a teoria do Big Bang e mudar tudo em você e no mundo. (pág. 220)

Ela sabia a diferença entre realidade e ficção, mas não conseguia abandonar suas histórias de amor. Elas a faziam sentir como se as mulheres pudessem estar no controle de seus destinos. Mesmo em um mundo escuro e cruel que testava mulheres até o limite de sua resistência, as heroínas desses romances podiam vencer e encontrar o amor verdadeiro. (pág. 241)

Amor e medo. As forças mais destrutivas da Terra. O medo a virara do avesso; o amor a tornara estúpida. (pág. 260)

O amor não desbota ou morre. As pessoas dizem que sim, mas isso não acontece. Se você o ama agora, vai amá-lo daqui a dez anos ou daqui a quarenta. De maneira diferente, talvez, uma versão esmaecida, mas ele é parte de você agora. E você é parte dele. (pág. 317)



adicione no skoob: a grande solidão

Título original: The great alone
Escritora: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Páginas: 400
Lançamento: 2018
Gênero: drama

SINOPSE
Alasca, 1974.
Imprevisível. Implacável. Indomável.
Para uma família em crise, o último teste de sobrevivência.
Atormentado desde que voltou da Guerra do Vietnã, Ernt Allbright decide se mudar com a família para um local isolado no Alasca.
Sua esposa, Cora, é capaz de fazer qualquer coisa pelo homem que ama, inclusive segui-lo até o desconhecido. A filha de 13 anos, Leni, também quer acreditar que a nova terra trará um futuro melhor.
Num primeiro momento, o Alasca parece ser a resposta para tudo. Ali, os longos dias ensolarados e a generosidade dos habitantes locais compensam o despreparo dos Allbrights e os recursos cada vez mais escassos.
Porém, o Alasca não transforma as pessoas, ele apenas revela sua essência. E Ernt precisa enfrentar a escuridão de sua alma, ainda mais sombria que o inverno rigoroso. Em sua pequena cabana coberta de neve, com noites que duram 18 horas, Leni e a mãe percebem a terrível verdade: as ameaças do lado de fora são muito menos assustadoras que o perigo dentro de casa.

10 comentários

  1. Opa, tudo bem por aí?

    Eu PRECISO ler esse livro. Sério, me interessei demais pela obra. Quando vi a capa, não imaginei que se tratasse de uma história assim. Envolve inúmeros aspectos que eu amo e que prendem a minha atenção de cara desde a sinopse. Preciso para ontem!

    Abraços!
    Acampamento da Leitura

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  2. Amei a sua resenha! Já ouvi algumas pessoas falando desse livro, mas a sua resenha me trouxe várias emoções e me deu bastante vontade de ler!
    Os Delírios Literários de Lex

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  3. Oi Fabi!!

    Eu nem imaginava que esse livro tinha violência doméstica como tema. Eu sempre vejo resenhas muito positivas sobre os livros dessa autora, fico feliz que mesmo sendo um tema forte e pesado o livro te agradou, isso significa que a autora trabalhou bem o tema!!

    Beijos!
    Eita Já Li

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  4. Olá tudo bem?
    Eu não conhecia o livro, tampouco a autora, mas fiquei impressionada com o tema que ela escolheu para abordar nesse livro e estou bastante curiosa para conhecer melhor essa história. Como sempre, sua resenha é maravilhosa.
    Beijos

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  5. Oiieee

    Eu tenho O Rouxinol da autora na fila pra ler, já sei que irá me emocionar, é sempre incrível encontrar autores assim, que conseguem cativar, partir e reconstruir o coração da gente com suas obras. Adoro livros ambientados no Alasca, e a premissa toda parece mesmo ser incrível, adoraria ler esse livro assim que puder.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  6. Oi Fabiana.

    Eu ainda não tive a chance de ler um livro dessa autora, mas tenho muita vontade porque algumas opiniões que li estão positivas. Gostei muito de saber que a forma como a autora consegue escrever deixa o leitor com emoções e até sofra e lute junto com suas personagens, desperta ainda mais meu interesse. Vou tentar adquiri -lo o mais rápido possível para lê -lo. Obrigada pela dica.

    Bjos

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  7. Olá!
    Parece ser um livro extremamente forte e intenso. Eu ainda não li nada da autora, mas tenho um livro dela na estante que, inclusive, estou ansiosa para lê-lo logo. Vendo a sua opinião, tanto sobre o livro como também sobre a autora, fiquei animada para conhecer logo suas histórias e me emocionar, assim como você.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  8. Oi, tudo bem? Não conheço a autora, mas sua resenha me fez perceber que quero ler esse livro com urgência. Pelo que entendi, ele fala sobre violência doméstica? Acho essencial a literatura trazer temas relevantes e reais para suas tramas, pode ajudar muita gente. Fiquei muito interessada, especialmente por causa dos quotes que são mesmo bem profundos e pesados. Muito obrigada pela dica, vou colocá-lo na wishlist! :)

    Love, Nina.
    www.ninaeuma.blogspot.com

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  9. adorei o formato da sua resenha pontuado separado o que gostou e analisou, me deu um boa noção da obra, do que posso esperar e eu leria so por causa da sua resenha.

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  10. Olá

    Nunca li nada da autora. Tem dois livros dela aqui em casa, mas nunca surgiu uma vontade intensa de ler.
    Quem sabe agora que estou retornando aos poucos aos romances acabe com essa distância das obras da autora e seja fisgada como você?!

    Beijos

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