Sabe aquela história com personagens que são amigos de infância, se reencontram anos depois, em uma cidadezinha pequena, cheia de fofocas e palpites, e uma pequena dose de carga emocional?
Cam e Willow se conhecem desde a infância. Eles passaram anos compartilhando muitas coisas boas, até que algo aconteceu, fazendo com que suas vidas mudassem para sempre.
Ambos estão passando por um luto. Cam perdeu seu irmão na guerra e todos da cidadezinha onde cresceu o culpam por isso, principalmente o seu pai. Já Willow está sofrendo por perder o seu namorado, mas, ao mesmo tempo, está feliz em saber que Cam sobreviveu a tudo que aconteceu.
Agora, anos depois, Cam volta para a cidade para ajudar o seu pai que está com Alzheimer precoce. Ele não esperava ter que voltar e muito menos reencontrar Willow, alguém que ele sempre amou, mas também sabia que não podia ser sua.
Aos poucos, eles vão começar a se reaproximar e muitos sentimentos do passado irão voltar a aflorar, fazendo com que eles percebam muitas coisas que estão além do que imaginavam.
E eu gostei muito desse livro. A autora soube criar uma história que traz o romance entre dois amigos de infância, que se reencontram anos depois e que precisam lidar com diversas coisas da vida, assim como aborda temas importantes nas entrelinhas, mostrando o impacto do luto e do Alzheimer na vida de todos.
Cam é um personagem que sempre ficou marcado por conta da sua rebeldia na adolescência e, mesmo anos depois, isso ainda o persegue. As pessoas na cidade não conseguem enxergar o amadurecimento e nem as mudanças em sua vida. A culpa pelo que aconteceu com o irmão surge ainda mais forte e fica difícil contornar todas as situações.
Já Willow sempre foi uma personagem mais certinha, que sempre fez o possível para agradar seus pais e todos da cidade. Mas, quando Cam retorna, ela sabe que ele está sendo julgado pelo passado, por atos adolescentes. As pessoas não querem enxergar. Não querem ver além. Então é quando ela usa toda a sua determinação para começar a mudar essa situação.
O envolvimento entre eles vai acontecendo aos pouquinhos, afinal, Cam sempre manteve sentimentos ocultos por ela e, talvez, para ela, estar com o irmão de alguém que ela amou pode ser algo extremamente difícil e não só pelo que a cidade ou o seu pai podem achar, mas sim pelo sentimento que ela carrega.
Apesar de ter gostado de tudo isso, As Coisas Belas e Preciosas é um livro que não tem tanta carga emocional como eu esperava. A autora traz, sim, momentos marcantes e alguns que ficamos levemente apreensivos, mas acredito que alguns outros poderiam ter sido mais explorados, sabe? A obra poderia ter tido um pouco mais dessas emoções.
E, por isso, confesso que não estava esperando a revelação que a Rebecca Yarros trouxe para essa trama. O que aconteceu aqui foi algo bem inesperado, mas que acabou se encaixando muito bem em toda a narrativa, fazendo com que eu percebesse que muitos julgamentos foram feitos em vão. Que as pessoas sempre julgam pelo que elas acreditam, mas nunca sabem a verdade por trás de cada ato.
Por fim, esse foi um livro que acabou me conquistando. É uma história que fala sobre recomeços, segundas chances, sobre os julgamentos alheios, em enxergar a vida além do que imaginamos e que cada pessoa lida com o luto da sua própria maneira.
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Título original: Great and precious things
Escritora: Rebecca Yarros
Editora: Arqueiro
Páginas: 384
Ano: 2026
Gênero: romance / drama familiar
Classificação: 16+
SINOPSE
Desde criança, Cam Daniels carrega o rótulo de rebelde na cidadezinha onde mora, o típico garoto problemático e subversivo que todo mundo adora odiar. Quando ele retorna da guerra sem o irmão mais novo, porém, sua má fama ganha contornos verdadeiramente trágicos. Todos o culpam, inclusive o próprio pai.
Cam resolve partir para seguir carreira militar, jurando a si mesmo nunca olhar para trás. Anos depois, porém, uma mensagem desesperada o obriga a encarar a realidade: a família precisa dele e está na hora de voltar para casa. Só que isso também significa reencontrar Willow Bradley, a única mulher no mundo que tem seu coração nas mãos... e a única que jamais poderá ser sua.
Conforme o passado vem à tona, fica cada vez mais claro que, sob as fofocas e aparências daquela cidadezinha, há segredos profundamente enterrados. E, diante deles, surge a inevitável pergunta: até onde somos capazes de ir por todas as coisas belas e preciosas que amamos?











