Resenha | O rouxinol, de Kristin Hannah

sexta-feira, 6 de março de 2020

O rouxinol”, mais um livro incrível da autora Kristin Hannah, publicado pela Editora Arqueiro, vai contar uma história narrada em 1939 no período da Segunda Guerra Mundial.

Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura

Assim com os outros dois livros que li da autora - “as coisas que fazemos por amor” e “tempo de regresso - que aborda uma trajetória e uma história entre irmãs, nesse não será diferente. A diferença está no período histórico e todo o sofrimento que a Guerra Mundial proporcionou.


Se há uma coisa que aprendi nessa minha longa vida foi o seguinte: no amor, nós descobrimos quem desejamos ser; na guerra, descobrimos quem somos. (pág. 07)


França, 1939.



Vianna Mauriac se despede do marido que está indo para o fronte. Ela não acredita que os nazistas irão invadir o país e nem que irão dominá-lo, mas logo os soldados começam a chegar, assim como os caminhões, tanques e aviões, a disparar bombas em todos daquela região.


Quando a França já está totalmente tomada por Hitler, ela se vê obrigada a conviver com o inimigo: um soldado nazista viverá em sua casa, junto com ela e sua filha, e ela será obrigada a aceitá-lo e a colaborar com as informações. Caso isso não aconteça, ela sabe que a morte é apenas o começo.

Naquele beijo, alguma coisa nasceu em seu coração magoado e vazio e desabrochou. Pela primeira vez, os romances de amor que lera fizeram sentido. Isabelle percebeu que a paisagem da alma de uma mulher podia mudar tão rapidamente quanto um mundo em guerra. (pág. 59)


De outro lado temos a sua irmã, Isabelle, uma garota cheia de questionamentos e que leva com enorme paixão. Está sempre pronta para lutar e enfrentar os inimigos. Para ela, conviver com o inimigo não é uma solução e sim lutar. É nesse momento que ela decide entrar para a Resistência.


Ela, o guerrilheiro por qual se apaixonou e mais um grupo de pessoas, irão ajudar todos aqueles que necessitam de ajuda na Guerra, principalmente soldados que estão lutando para que essa tragédia tenha fim.

Você é o meu raio de luz na escuridão, o chão sob os meus pés. Vou sobreviver por você. Espero que possa também dar força a você. Que consiga se sentir mais forte por minha causa. (pág. 162)


Separadas por toda essa circunstância e ideais diferentes, cada uma terá que enfrentar a sua luta e as consequências de suas escolhas. Apenas o final da Guerra dirá qual foi o preço que cada uma teve que pagar para sobreviver.




Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura


Kristin Hannah não erra nunca!



Esse foi meu terceiro contato com a Kristin Hannah e devo dizer que ela soube descrever um cenário cheio de dor, sofrimento e todos os elementos trágicos que a Guerra proporcionou na vida de muitas pessoas.


A cada capítulo lido, era um aperto no coração e a sensação de necessidade em saber o que viria a seguir, pois ela consegue envolver o leitor completamente em sua narrativa e deixa aquela ansiedade por mais.




Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura
Talvez a única coisa saudável de tudo isso. O amor, quero dizer. (pág. 303)


“O rouxinol” é um livro maravilhoso e que me fez questionar muito.



Quantas pessoas precisaram dar abrigo ao inimigo para sobreviver? Quantos judeus foram mortos? Quantas pessoas foram para a Guerra e não tiveram a chance de se despedir de sua família? Quantas pessoas tentaram ser a resistência e não sobreviveram? Quantas pessoas não perderam alguém que amava?


São tantas questões que sabemos que algumas já foram respondidas, mas toda vez que leio um livro com narrativa na Segunda Guerra Mundial, eu me pego questionando e sofrendo novamente por um período que trouxe tremenda dor e impacto na vida de muitos.

As palavras "eu amo você" queimaram dentro dela, desesperadas para serem expressas. Porém, ainda mais que dizê-las, ela queria ouvir aquelas palavras, que alguém lhe dissesse, ao menos uma vez, que era amada. (pág. 308)


Kristin Hannah
Foto: PS Amo Leitura
Um coração magoado dói tanto em tempo de guerra como de paz. (pág. 324)

A autora soube criar duas personagens fortes.


Como citei no começo dessa resenha, Isabelle vai para o lado da Resistência, enquanto Vianne convive com inimigo. Cada uma teve que ser forte à sua maneira para sobreviver. Enquanto uma enganava os nazistas para proteger pessoas inocentes, a outra tinha que ajudar para não morrer.


Elas tinham as suas lutas diárias e enfrentavam isso da melhor forma possível. Apesar da narrativa em terceira pessoa, a autora soube como criar um contexto que motivou, inspirou e soube criar uma narrativa sensível.




O que me instigou ainda mais durante a leitura, foi que alguns capítulos (bem poucos) narra alguns acontecimentos de 1995, ou seja, pós-guerra. É nesse ponto que a curiosidade aumenta e a esperança surge - mesmo após toda dor que vamos conhecendo ao longo da trama.


E nem preciso comentar sobre o final. O livro já foi devastador o suficiente e o final soube como devastar um pouco mais.

Agora sei o que é importante, e não é o que eu perdi. São as minhas lembranças. Feridas cicatrizam. O amor perdura. (pág. 425)

O rouxinol” é uma história incrível, sensível, cheia de dor e sofrimento. Uma história onde duas irmãs precisam vencer as suas próprias batalhas, lutar diariamente para sobrevivência, lidar com toda a dor que a Guerra causou e buscar uma luz no fim do túnel. Buscar a esperança de dias melhores.


adicione no skoob: o rouxinol

Título original: The Nightingale
Escritora: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
Páginas: 432
Lançamento: 2015
Gênero: drama / Segunda Guerra Mundial

SINOPSE
França, 1939: No pequeno vilarejo de Carriveau, Vianne Mauriac se despede do marido, que ruma para o fronte. Ela não acredita que os nazistas invadirão o país, mas logo chegam hordas de soldados em marcha, caravanas de caminhões e tanques, aviões que escurecem os céus e despejam bombas sobre inocentes.
Quando o país é tomado, um oficial das tropas de Hitler requisita a casa de Vianne, e ela e a filha são forçadas a conviver com o inimigo ou perder tudo. De repente, todos os seus movimentos passam a ser vigiados e Vianne é obrigada a fazer escolhas impossíveis, uma após a outra, e colaborar com os invasores para manter sua família viva.
Isabelle, irmã de Vianne, é uma garota contestadora que leva a vida com o furor e a paixão típicos da juventude. Enquanto milhares de parisienses fogem dos terrores da guerra, ela se apaixona por um guerrilheiro e decide se juntar à Resistência, arriscando a vida para salvar os outros e libertar seu país.
Seguindo a trajetória dessas duas grandes mulheres e revelando um lado esquecido da História, O rouxinol é uma narrativa sensível que celebra o espírito humano e a força das mulheres que travaram batalhas diárias longe do fronte.
Separadas pelas circunstâncias, divergentes em seus ideais e distanciadas por suas experiências, as duas irmãs têm um tortuoso destino em comum: proteger aqueles que amam em meio à devastação da guerra – e talvez pagar um preço inimaginável por seus atos de heroísmo.

9 comentários

  1. Li apenas um livro da autora e adorei e nem sei explicar porque não li mais coisas dela. Adorei sua resenha e fiquei muito empolgada em ler o mais rápido possível.
    Beijos

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  2. Oi, Fabiana!
    Eu nunca li nada da Kristin Hannah, mas os seus livros (e olha que ela tem livro) nunca me despertam muita curiosidade. Até que achei esse um pouco mais interessante, já que trata da Segunda Guerra Mundial, mas tenho a impressão que eu não iria gostar da escrita dela. É só uma impressão mesmo, mas no momento não estou muito afim.
    Sua resenha está excelente!
    Bjss

    http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com/2020/03/resenha-estamos-bem.html

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  3. Olá, tudo bem ?
    Eu vejo muita gente falando da autora , mas eu nunca li nada dela. Os livros que tratam sobre a guerra eu acabo deixando um pouco de lado, pq minha avó veio ao Brasil fugindo da guerra e sempre foi um assunto muito denso em nossas vidas por conta de tudo o que ela viveu. Achei bem positivo ter o pós guerra, essa linha no tempo bem legal.
    Beijos
    www.estilo-gisele.blogspot.com.br

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  4. Olá, tudo bem? Eu nunca li nada, mas a cada novo elogio fico mais tentada ainda hahaha Ainda mais que no seu caso, é terceiro livro e ela não desapontou. Essa sinopse foi uma das que menos curti, porém pela sua resenha tive outra perspectivas. Ótima resenha e dica mega anotada! Aliás, adorei as fotos!
    Beijos

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  5. Olá!!!
    Acho que o segundo de guerra é algo que para mim ainda tem que ser uma escalada, pois não leio muitos livros com essa temática.
    Já ouvi falar da autora e de suas obras e só ouvi elogios, também ouvi falar do livro é como todas as pessoas que o leram amaram.
    Vou anotar a dica para quem sabe num futuro eu dar uma chance.

    lereliterario.blogspot.com

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  6. Oi!
    Ainda não conheço a escrita dessa autora, mas lendo sua resenha agora me deu uma curiosidade e me envolver nesses sentimentos, também adoro sofrer junto com o personagem e aprender mais sobre o próprio. Parabéns pela resenha parece ser um livro com muitos sentimentos envolvidos, obrigado pela dica, bjs!

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  7. Gostei demais dessa resenha e minha curiosidade está muito aguçada, pois é o estilo de livro que gosto, que se passa na Segunda Guerra. Os sentimentos desse personagem deve ser melancólico e nos passa muita emoção e sentimentos. Desejo realizar a leitura dessa obra em breve.

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  8. Realmente, essa mulher não erra nunquinha! Eu acho impressionante como essa autora consegue escrever dramas tão pesados com mulheres tão fortes na narrativa. Li Jardim de inverno e acho que jamais irei superar.

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  9. Olá, tudo bem? Eu ainda não li as obras da autora, mas tenho esse que consegui no sebo e a grande solidão que comprei por centavos em uma promoção, espero ler ambos ainda este ano. Amei as suas considerações, me animou muito para adiantar a leitura.

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