Sabe aquele livro que tem alguns momentos divertidos, até mesmo sensuais, e aborda assuntos importantes nas entrelinhas? É exatamente isso que acontece em "até parece que é amor".
Nessa história, conhecemos Elle, uma personagem que tem um podcast super famoso e precisa cuidar de sua avó, Lovie, que está com Alzheimer. A cada novo dia, ela percebe o quanto a doença tem avançado rapidamente e entende que vai precisar de ajuda para lidar com essa nova fase.
Adam é o enfermeiro contratado para cuidar de Lovie em tempo integral. Ele vai ajudá-la a comer, tomar seus remédios, dormir e repetir essa rotina todos os dias. O problema é que ele e Elle não têm um primeiro encontro muito bom e as coisas podem ficar complicadas a partir daí.
Além de serem obrigados a dividir a mesma casa e, às vezes, até a mesma cama, eles passam a fingir que estão namorando, porque Lovie, mergulhada em suas lembranças confusas, acredita que eles estão apaixonados. E como eles poderiam convencer alguém como ela do contrário?
No começo, Elle foi uma personagem que acabou me irritando. A forma como ela agia em relação a Adam soava meio arrogante, como se apenas ela soubesse o que era melhor para a avó, enquanto ele não soubesse nada, mesmo sendo um profissional capacitado para cuidar dela.
Adam também foi um personagem de quem gostei em alguns momentos, principalmente por ser um profissional muito competente. Por outro lado, senti que ele parecia não ter conhecimento de quase nada sobre coisas básicas da internet, como um boomerang no Instagram. Isso me fez até questionar se o personagem realmente tinha a idade que dizia ter.
Essa imaturidade dos personagens foi algo que me incomodou ao longo de toda a leitura. Ainda assim, eu ri em alguns momentos com os acontecimentos de suas vidas, gostei de algumas conversas que tiveram e de certas interações entre eles, até mesmo várias alfinetadas, e foram justamente esses momentos que fizeram com que eu curtisse a leitura.
O livro é uma comédia romântica, mas aborda um tema delicado nas entrelinhas: o Alzheimer. Esse foi outro ponto de que gostei bastante, afinal Megan Murphy vai mostrando algumas das dificuldades enfrentadas nesse processo tão sensível e como lidar com essas situações.
Queria que ela tivesse explorado mais esse aspecto? Sim. Em determinado momento, senti que a autora deixou isso um pouco de lado para focar mais na atração entre os personagens, e isso me deu a impressão de que a história mudou de rumo. Acabei sentindo falta de um aprofundamento maior nessa questão.
No fim, "até parece que é amor" foi uma leitura que gostei, mas com ressalvas. É um livro que pode dividir opiniões, principalmente por causa das atitudes dos personagens, mas também é uma obra que fala sobre cuidar de quem sempre cuidou de nós, especialmente nos momentos mais difíceis, e sobre como, muitas vezes, precisamos deixar de ser “casca grossa” e aceitar a ajuda que merecemos.
*o livro contém cenas mais sensuais.
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Título original: Fake it like you mean itEscritora: Megan Murphy
Editora: Harlequin
Páginas: 336
Ano: 2025
Gênero: comédia romântica
Classificação: 16+
SINOPSE
A avó de Elle, Lovie, cuida da neta desde antes que Elle se lembra. Mas é justamente aí que está o problema: lembrar. Com o Alzheimer de Lovie avançando rapidamente, é a vez de Elle assumir os cuidados. Deixando Chicago para trás, a última coisa que Elle esperava ao entrar na casa onde cresceu era encontrar um desconhecido dormindo na cama dela.
Adam Wheeler acabou de ser contratado como enfermeiro de cuidado integral de Lovie e está ali para ajudá-la a comer, tomar os remédios, dormir e repetir a mesma rotina no dia seguinte. Mas, após uma primeira impressão tenebrosa, a convivência vinte e quatro horas por dia entre Elle e Adam parece que não vai ser nada fácil.
E as coisas só se complicam quando Lovie, mergulhada em lembranças confusas, jura que os dois estão apaixonados. Convencidos de que logo tudo estará esquecido, Elle e Adam decidem seguir com o teatro, para não abalar a idosa. O problema? Ela não esquece.
Agora, os dois terão que continuar fingindo. Mas se Lovie é a única que acredita que esse namoro de mentira é real, então por que Elle começa a pensar em Adam mais do que gostaria? E por que, a cada dia, parece menos uma encenação e mais uma possibilidade?



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