Resenha | O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Esse livro é um clássico da literatura e tem um excelente motivo para isso. Por muitos anos, nunca me interessei em dar uma chance a essa obra, pois imaginava que não iria gostar. Agora, percebo que este foi o momento perfeito para lê-la.

Emily Brontë

Aqui conhecemos, por meio de múltiplos narradores, a história de Cathy e Heathcliff. Ele passa a morar na casa da família dela. No início, essa decisão impacta toda a sociedade ao redor, afinal, por que o pai de Cathy faria isso? Por que ele se compadeceria de alguém como Heathcliff? Nem mesmo o irmão dela aceitava a situação e o tratava da pior maneira possível.

Com o tempo e a convivência cada vez mais intensa, eles criam um vínculo muito forte. Estão sempre juntos, fazem tudo lado a lado. Porém, após alguns acontecimentos, passam a viver em lugares separados e é aí que tudo começa a mudar em suas vidas. Surgem as lamúrias de viver longe de quem se ama, o coração partido em milhões de pedaços e a dor de nunca viver o romance desejado.

Ao longo dos capítulos, vamos descobrindo tudo o que aconteceu com cada um deles e como suas vidas seguiram após inúmeros acontecimentos. A narrativa mantém um tom melancólico até o fim e ainda apresenta novos personagens depois dos trágicos desfechos dos protagonistas.

Emily Brontë

O que dizer de um clássico como O Morro dos Ventos Uivantes? É difícil descrever o quanto essa história me proporcionou emoções intensas e o quanto fiquei incrédula com muitos dos acontecimentos. Se me impactou agora, tantos anos depois, imagino o impacto que causou em 1847!

Tenho certeza de que, se tivesse lido quando era mais nova, não teria gostado tanto. O tom melancólico, os cenários sombrios, o luto, a depressão e os acontecimentos trágicos talvez não me tocassem da mesma forma nem me fizessem perceber tantas camadas como agora.

Inicialmente, confesso que fiquei receosa com a trama. É uma narrativa diferente, com múltiplos narradores, o que poderia torná-la confusa. Mas acredito que a forma como Emily Brontë escolheu contar a história de Cathy e Heathcliff tornou tudo ainda mais marcante.

Os personagens são intensos e cheios de camadas. Não são simples nem fáceis de compreender. Suas trajetórias são marcadas por reviravoltas, momentos dolorosos e situações que nos fazem questionar até mesmo a saúde mental de cada um.

Após tudo o que acontece com esses personagens, a autora apresenta uma nova geração, ainda conectada a eles. E isso me fez perceber como certos padrões — a intensidade, o rancor, a mágoa — parecem se repetir, como se sempre assombrassem essa família.

Então, essa foi uma leitura que me causou um verdadeiro misto de emoções. Em muitos momentos, eu queria “gritar” com os personagens; em outros, desejava poder “entrar na história” para resolver certas situações. Vivi uma verdadeira montanha-russa de sentimentos a cada capítulo e acredito que essa seja justamente a beleza do livro.

O Morro dos Ventos Uivantes é uma história de amor, mas um amor sombrio. Uma paixão impossível de ser vivida plenamente, marcada por vingança, dor e consequências que atravessam gerações, deixando momentos trágicos e inesquecíveis na vida de todos.


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Emily Brontë
Título original: Wuthering Heights
Escritora: Emily Brontë
Editora: Ciranda Cultural
Páginas: 368
Ano: 2023 (audiobook) / Publicação original em 1847
Gênero: romance / clássico
Classificação: 16+

SINOPSE
Uma história sombria de paixões e vingança, esta obra provou ser um dos clássicos mais duradouros da literatura inglesa. A turbulenta e tempestuosa história de amor de Cathy e Heathcliff se estende por duas gerações, desde o tempo em que Heathcliff, um menino estranho e grosseiro, é trazido para viver na propriedade varrida pelo vento dos Earnshaws. Uma obra-prima da ficção, O Morro dos Ventos Uivantes permanece tão comovente e atraente hoje como era quando foi publicado pela primeira vez em 1847.

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