Resenha | Quando não há palavras, de Julie Buxbaum

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

 Uma menina em luto; Um menino diferente. Uma tragédia vai uni-los... se não os separar. Um young adult que vai proporcionar inúmeras reações!

Julie Buxbaum


Kitt perdeu seu pai em um acidente de carro e sua vida perdeu todo sentido, desde as pequenas coisas como se sentar na mesa no horário de almoço com suas amigas, até a sua comida favorita.

Por outro lado, conhecemos David que não tem muitos amigos e acaba sempre sofrendo bullying na escola. Apesar dos inúmeros adjetivos que recebe, ele faz o possível para ignorar e anota tudo em seu caderno que o ajuda a sobreviver ao ensino médio.

Ela está com dificuldade em lidar com a perda. Ele, tem uma honestidade contundente. E é quando Kitt lhe pede ajuda pra descobrir mais sobre o trágico acidente e ele aceita. Mesmo com essa improvável amizade, nenhum deles poderiam prever o resultado dessa busca.


"Ele pode ser estranho, mas o mundo já é ruim o suficiente sem que as pessoas sejam más umas com as outras." (pág. 20)

 

"Quando não há palavras" era uma obra que já estava encalhada na minha estante há um bom tempo. Sempre enrolava para ler, mas a partir do momento que iniciei e inúmeras coisas começaram acontecer, percebi que estava perdendo uma grande história!

No começo, os capítulos demoram um pouco mais para desenrolar, mas em certo ponto, quando uma grande revelação acontece, tudo para desencadear e fazer sentido. Comecei a ficar ainda mais presa na trama e querendo descobrir o final dessa história.

Mas quando eu achava que as revelações impactantes haviam acabado, nas últimas 30 páginas veio A MAIOR descoberta de todas. Sabe aquele momento que você precisa fechar o livro para absorver tudo o que acabou de ler? Foi exatamente dessa forma que me senti quando o maior segredo é revelado.


"Percebi que os clichês existem por um motivo: eles são verdadeiros. E, sem dúvidas, isto definitivamente é um clichê: as pessoas só dão valor às coisas quando as perdem." (pág. 116)

 

Além desses plots, toda a trama de "quando não há palavras" me conquistou bastante. Kitt é aquela adolescente que está passando por momentos delicados e pouquíssimas pessoas a sua volta conseguem entender isso. O luto passa por vários estágios e ela está "vivendo" cada um desses momentos, o que fica realmente difícil para que as pessoas ao seu redor realmente entendam.

Como se já não bastasse tudo isso, por outro lado temos o David. Ele é um jovem com aspeger e isso faz com que as pessoas esbanjem adjetivos negativos para ele. O que me faz pensar: por quê tratar alguém dessa forma? Independente se ele tem doença ou não, não deveria ser tratado como todo mundo? E me deixou bem reflexiva em imaginar quantos outros jovens e até mesmo adultos passam por situações similares. Uma triste realidade.

Esse foi meu segundo contato com a Julie Buxbaum e posso dizer que ela soube como escrever um jovem adulto que proporcionou inúmeras reações em cada capítulo. Em alguns estava surtando com as revelações; em outros, estava achando uma gracinha a forma como a amizade de Kitt e David estava transformando ambos. E eu adoro quando uma obra consegue me proporcionar várias emoções.


"Coisas inimagináveis e horríveis acontecem. Cabe a nós escolhermos se vamos crescer ou nos encolher. Se vamos perdoar ou nos exasperar." (pág. 298)

 

Um livro que mostra que a esperança realmente nasce do improvável, assim como uma grande amizade. Muitas vezes precisamos nos livrar de alguns sentimentos para que possamos seguir em frente e, sem dúvidas, foi exatamente o que ambos os personagens fizeram.


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Título original: What to say next
Escritora: Julie Buxbaum
Editora: Galera
Páginas: 304
Ano: 2019
Gênero: jovem adulto

SINOPSE
Às vezes, tudo o que precisamos é de uma nova perspectiva para entendermos o mundo. Quando uma improvável amizade começa a surgir entre Kit Lowell, uma das meninas mais populares do ensino médio, e David Drucker, o garoto nerd e isolado, todos ficam surpresos... principalmente Kit e David. A garota está tendo dificuldades em lidar com a perda do pai após um acidente de carro, e acaba apreciando a honestidade contundente de David. Na verdade, parece que ele é o único capaz de ser objetivo sobre diversos assuntos, inclusive a morte, e ela acha isso estranhamente revigorante. David, que não tem muitos amigos e é vítima constante de bullying na escola, fica encantado com a atenção que recebe de Kit e natureza curiosa da nova amiga. Quando ela lhe pede ajuda para descobrir mais sobre o trágico acidente de seu pai, David topa na hora. Mas nenhum deles poderia prever o resultado dessa busca; nem sempre é fácil lidar com a verdade.

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