Resenha | O conto da Aia, de Margaret Atwood

sexta-feira, 17 de julho de 2020

O Conto da Aia, também conhecido pela série The Handmaid's Tale, é um livro escrito por Margaret Atwood e publicado pela Editora Rocco e que vai abordar muitas questões políticas e sobre a luta da mulher.


Margaret Atwood


Mundo distópico bem próximo da realidade.

Em O Conto da Aia, nós vamos ter uma visão de uma sociedade anulada por uma revolução teocrática do século XXI, ou seja, é ambientada em um cenário onde as mulheres são vítimas de opressão, tornando-se propriedade do governo.

As leis impostas em Gilead, cidade apresentada na obra, são baseadas no antigo testamento e todos os indivíduos vivem sob repressão e perderam os direitos fundamentais, principalmente a minoria, como as mulheres.

"Algumas pessoas chamam de hábitos, uma boa palavra para eles. Hábitos são difíceis de abandonar ou despir." (pág. 36)

Aia vive na casa de um Comandante do regime teocrático. Ela é uma mulher fértil e que serve apenas para procriar. As "não mulheres", como são chamadas aquelas que são inférteis, adúlteras, viúvas e feministas, são levadas para as "colônias" e vivem em um trabalho forçado.

Margaret Atwood


Uma sensação de enjoo, dor e luta.

Eu queria citar inúmeras coisas que acontecem ao longo da trama, mas O Conto da Aia é aquele livro com um universo distópico, mas que apresenta uma grande realidade: mulheres que são vítimas de opressão.

Então, devo dizer que a leitura não é fácil. Em muitos momentos eu tive que parar, respirar, deixar um pouco de lado e intercalar com outra obra, pois o livro apresenta muitas questões impactantes e até mesmo cenas enojadoras.

"Uma história é como uma carta. Caro Você, direi. Apenas você, sem nome. Acrescentar um nome acrescenta você ao mundo real, que é mais arriscado, mais perigoso: quem sabe quais serão as probabilidades lá fora de sobrevivência, da sua sobrevivência? Eu direi você, você, como uma velha canção de amor. Você pode ser mais de uma pessoa. Você pode significar milhares." (pág. 52)

É impossível não refletir sobre tudo o que é apresentado. Homens no poder, acreditando que mulheres não servem para nada além de procriar; Mulheres sendo caladas simplesmente por serem mulheres; Mulheres sendo "descartadas como lixo" por serem viúvas e inférteis, por exemplo.

Margaret Atwood


 

A Margaret Atwood soube como apresentar tudo de uma forma que causasse um impacto na vida do leitor. Um livro escrito em 1985, mas que demonstra tantas coisas da nossa atualidade e fica difícil não questionar se estamos lendo realmente uma ficção.

Sabe, apesar de ser uma distopia, o quanto esse livro mostra uma realidade da qual enfrentamos todos os dias? É algo que, muitas vezes, pode passar despercebido aos olhos de muitos, mas está ali. Basta analisar o mundo ao redor.

"Aprendi a viver sem uma porção de coisas. Quando temos muitas coisas, nos tornamos apegados a este mundo material e nos esquecemos dos valores espirituais." (pág. 79)

Apesar de em alguns momentos me sentir confusa com a leitura, achei a abordagem do livro sensacional e necessária. É aquele livro que precisa ser lido com atenção e não de uma única vez. É necessário refletir, analisar as situações e ganhar força para continuar. 

Margaret Atwood

O final do livro deixou alguns questionamentos. O que realmente aconteceu após a porta da van fechar? Isso levou inúmeras perguntas e estou curiosa para entender algumas lacunas em "Os Testamentos" - segundo livro.

O Conto de Aia é uma obra política e que vai te proporcionar inúmeras sensações, emoções e repulsa, mas que vale a pena conhecer.

MAIS QUOTES

"Você pode molhar a borda de um copo de vidro e correr o dedo da borda e ele emitirá um som. É assim que me sinto: esse som de vidro. Sinto-me como as palavras em pedaços." (pág. 125)

"Mas lembre-se de que o perdão também é um poder. Suplicar por ele é um poder, e recusá-lo ou concedê-lo é um poder, talvez de todos o maior." (pág. 163)

"Deixar-se arrebatar, se entregar, cair de amor, todos nós fazíamos isso, na época, de uma forma ou de outro. Como poderíamos ter menosprezado tanto? Até zombado disso." (pág. 267)


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Título original: The Handmaid's Tale
Escritora: Margaret Atwood
Editora: Rocco
Páginas: 368
Lançamento: 2017
Gênero: distopia

SINOPSE
Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.

7 comentários

  1. Ler não, mas assisto a série e gosto bastante. É difícil de ver as vezes mas muito necessário. Adorei sua indicação. Realmente vale super a pena conhecer a história.

    Beijos.

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  2. É um livro bem difícil de ler mesmo,mas com certeza necessário, eu li e me no grupo Leia Mulheres, e também tinhas que dar pausas na leitura.
    Eu amo distopias e com certeza essa é uma das favoritas.Nunca vi a série, tenho muita vontade , mas minha preguiça de acompanhar séries é enorme rsrs

    Ótima resenha!

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  3. Olá, tudo bem? Vejo falarem muito bem desse livro, e parece ser mesmo uma leitura muito boa, que aborda temas pesados. Adorei a resenha!

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  4. Oiiii

    Eu quero muito ler algum livro dessa autora, tenho Vulgo Grace na estante e pretendo começar por ele e tb ler O conto de Aia assim que puder, a abordagem dele é tão importante, as reflexões que a trama traz e como tudo parece assustadoramente próximo da realidade, é chocante enquantoa gente lê com certeza.

    Beijos, Ivy

    www.derepentenoultimolivro.com

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  5. É incrível - e assustador - ver como esse livro, escrito em 85, parece tão real e atual. Eu o li com um nó na garganta, desejando que aquilo realmente fosse apenas ficção, mas, em partes, não é. Eu também estou ansiosa para ler o segundo livro, mas imagino que seja tão forte ou até mais do que esse, e por isso tenho me preparado para a leitura. Mesmo assim, mesmo eu não gostando de distopia, foi um dos melhores livros que li esse ano.

    www.sonhandoatravesdepalavras.com.br

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  6. Olá! Eu realizei a leitura desse livro bem antes do lançamento da série mas, acabei não resenhando ele no meu blog, achei a leitura pesada e muito difícil para mim naquela época, porque, fazia pouco tempo que tinha retornado com as leituras. Agora, que tenho mais experiências com livros difíceis, pretendo lê-lo novamente.

    Quanto a série, ainda não tive a oportunidade de assisti-la, acredito que não conseguirei cumprir essa meta em 2020 mas, nos próximos anos tenho certeza que ire. Os temas abordados são importantíssimos, nós mulheres precisamos nos unir para que a história relatado no livro, não aconteça no Brasil de hoje pois, onde imperam religiões e governos extremistas, minorias e as massas populacionais sofrem.

    Viviane Almeida
    Resenhas da Viviane

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  7. Eu tenho muita vontade de ler esse livro! Inclusive, até o tenho aqui em casa, só ainda não tive a oportunidade de ler mesmo. Amei sua Resenha!

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